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CORRESPONDENTE REDE GAÚCHA SAT

com REDE GAÚCHA SAT

Agricultura

Seca já causa perdas irreversíveis na safra de milho no RS

  • 27/12/2021 - 21:23
  • Atualizado 27/12/2021 - 21:29
Seca já causa perdas irreversíveis na safra de milho no RS
Reprodução

As perdas na safra 2021/22 do milho no Rio Grande do Sul são irreversíveis. A questão, agora, é saber qual será a dimensão do prejuízo e torcer por chuvas generalizadas até o final do ano para completar o enchimento dos grãos na lavoura. Com o cenário atual, porém, está configurada a quebra da lavoura de milho.

É difícil mensurar o impacto geral da seca no Estado. O último dado foi divulgado pela Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro-RS), em um levantamento realizado em 29 de novembro, e aponta que pelo menos 29,6% da produção de milho já havia sido perdida no Estado. Desde então, choveu menos do que os produtores gostariam - e precisavam. Algumas lavouras foram quase completamente perdidas.

Segundo o técnico da Emater Leonardo Rustick, em Três de Maio as perdas variam, podendo chegar em algumas lavouras a 100%, mas, em média, a quebra, neste momento, é de 40%.

Na região é observada intensificação do estresse hídrico das lavouras onde as chuvas foram de menores volumes. A perda de água foi acentuada pelos ventos e as altas temperaturas, principalmente no final da semana. Foram observadas ocorrências de tripes em algumas lavouras em estádio mais desenvolvido. Algumas áreas apresentam falhas por morte de plantas (damping off) ou por escaldadura, ambas decorrentes das altas temperaturas

A perda total de lavouras de milho ao redor do Rio Grande do Sul obriga produtores gaúchos a encontrarem alternativas para garantir o mínimo de rentabilidade na safra de verão 2021/22. Muitos deles optarão pelo caminho da soja.

Diversos produtores de milho no Estado estão derrubando suas plantações e migrando para a soja para conseguir garantir alguma produtividade neste verão.

O prazo, contudo, está apertado. Os produtores precisam torcer para chover ainda neste final de dezembro e início de janeiro para que seja possível fazer a semeadura com o solo úmido o suficiente para permitir a germinação dos grãos.

Para que a soja vingue, é extremamente necessário que ocorram chuvas volumosas em janeiro. Para os meses seguintes - fevereiro e março -  expectativa não poderia ser pior.

- Perspectiva, tem, para chover ainda em dezembro. Mas, quando a gente fala em volumes, seria no máximo de 15 a 30mm. É pouco. Vai estar calor e a água vai evaporar muito rápido para infiltrar na lavoura. Normalmente, em anos de La Niña, dezembro fica abaixo da média de precipitações - avisa a meteorologista Estael Sias, da MetSul. "As chuvas de janeiro podem salvar a soja, mas em fevereiro e março deveremos ter uma estiagem mais severa com bastante seca, além de ondas de calor castigando a lavoura com temperaturas que podem bater os 40ºC, o que acelera a perda de água das plantas", destaca ela.

Segundo ela, a situação para os próximos meses é ainda mais preocupante pelo que já ocorre atualmente.

- Com a falta de chuva, alguns produtores de soja já falam em replantio. Mas, como a situação já começa ruim, com essa situação de seca, fica difícil. Agora, não é mais questão de planejamento, não é mais decisão do produtor. É a chuva que vai definir a data de plantio - afirma a meteorologista.

Fonte: Redação