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Agricultura

Emater/RS-Ascar consolida atuação ambiental contínua

Emater/RS-Ascar consolida atuação ambiental contínua
Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar
  • 08/02/2026 - 12:41

A atuação ambiental da Emater/RS-Ascar reafirmou-se como uma política pública contínua e estruturante no Rio Grande do Sul. Além de articular a produção agropecuária com a conservação dos recursos naturais, saneamento rural, segurança alimentar e inclusão social, a Instituição integra, historicamente, a Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) e inclui a presença permanente nos territórios rurais do Estado.

De acordo com a extensionista rural Thais Michel, no período de 2021 e 2025, essa atuação ocorre em meio à intensificação das crises climáticas. As estiagens prolongadas e enchentes recorrentes tiveram impactos severos sobre a agricultura e a pecuária familiar, bem como sobre os povos indígenas, as comunidades quilombolas e de pescadores artesanais.

Para 2026, a Emater/RS-Ascar projeta o fortalecimento da Aters ambiental como eixo estratégico de atuação, "ampliando sua contribuição na adaptação às mudanças do clima, na qualificação dos sistemas produtivos e no suporte técnico à implementação de políticas públicas ambientais a partir dos territórios rurais do Rio Grande do Sul", anuncia Thais.

A conservação do solo segue como um dos eixos mais consolidados da atuação ambiental da Emater/RS-Ascar. As práticas conservacionistas incluem o manejo produtivo regular das propriedades assistidas e são reforçadas por contratos públicos e programas governamentais voltados à adaptação climática e à estabilidade produtiva.

Entre 2021 e 2025, foram registradas cerca de 70 mil ações relacionadas ao uso de plantas recuperadoras do solo, além de aproximadas 24 mil ações de descompactação e 5,9 mil intervenções com construção de terraços e curvas de nível. Essas atividades evidenciam a importância do manejo conservacionista para a redução da erosão, aumento da infiltração de água e manutenção da produtividade agrícola e pecuária. Ainda, houveram 15,5 mil ações de lotação controlada na Integração Lavoura-Pecuária no período, reforçando o elo entre produção animal e conservação do solo, especialmente em sistemas de agricultura familiar e pecuária familiar.

Outro destaque do intervalo é a agroecologia e a agricultura de base ecológica, área em que a Emater/RS-Ascar desempenhou papel decisivo. Sua atuação foi constituída pela difusão de práticas sustentáveis, assim como pelo acompanhamento da transição de sistemas convencionais e na organização social dos agricultores.

Foram contabilizadas cerca de 48,5 mil ações de agricultura de base ecológica, resultado do processo contínuo de orientação técnica, reformulação de sistemas produtivos e acompanhamento da transição de modelos convencionais.

A consolidação das feiras ecológicas no Estado, responsáveis por fortalecer as redes de agroecologia e viabilizar a comercialização por meio de mercados institucionais, como os programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), contou com 3,7 mil ações. Práticas alternativas, como o uso de bioinsumos e de homeopatia vegetal e animal, contaram com 4,6 mil e 5,4 mil ações, respectivamente, consolidando a diversidade de ferramentas técnicas mobilizadas para reduzir a dependência de insumos externos e ampliar a autonomia produtiva das famílias rurais.

"Mais do que responder a crises, a atuação ambiental da Emater constrói resiliência, reduz vulnerabilidades e sustenta a transição para sistemas produtivos mais equilibrados", destaca Thais Michel.

O saneamento ambiental e a gestão da água constituem um dos maiores volumes de ações no período analisado. Cerca de 15,5 mil ações estiveram relacionadas à instalação, manutenção e limpeza de reservatórios, enquanto a proteção de fontes naturais e poços somou cerca de 4,6 mil registros.

Nesse contexto, as ações ligadas às redes coletivas e individuais de abastecimento de água totalizaram 6,8 mil ações. As práticas de reaproveitamento e organização para coleta seletiva, com 39 mil ações, aliadas às 18,3 mil ações de compostagem, foram essenciais para promover práticas adequadas de manejo de resíduos sólidos no meio rural.

Na interface entre produção agropecuária e conservação da biodiversidade, o manejo e o melhoramento do campo nativo permanecem como agendas permanentes da Aters ambiental. Os dados indicam 7,8 mil ações relacionadas à pecuária familiar em áreas de campo nativo. As intervenções em sistemas agroflorestais e silvipastoris somam 530 e 620 ações, respectivamente. Embora numericamente menores, essas atividades apresentam alta complexidade técnica e relevância ambiental, associadas à restauração ecológica e à diversificação produtiva. Por fim, foram registradas 3,4 ações de manejo do campo nativo na bovinocultura de corte (não familiar).

A transversalidade ambiental também se expressa nas ações de educação ambiental, gestão ambiental e suporte técnico às políticas públicas. Entre 2021 e 2025, foram contabilizadas 32,4 mil ações de educação ambiental e mais de 70,4 mil registros de geoprocessamento, fundamentais para projetos de restauração, regularização e execução de políticas públicas ambientais. Somam-se a esse conjunto milhares de ações relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), outorgas de uso da água, laudos e vistorias ambientais e 20 mil ações de saneamento ambiental e recomposição.

A leitura acumulada dos dados demonstra uma Aters ambiental robusta, com capacidade operacional, continuidade histórica e presença territorial permanente. Mais do que responder a crises climáticas, a atuação da Emater/RS-Ascar no período analisado contribui com a redução de vulnerabilidades e sustento da transição para sistemas produtivos mais equilibrados, socialmente justos e ambientalmente adaptados às condições do Rio Grande do Sul.