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Agricultura

Emater utiliza teste de infiltração para qualificar manejo do solo e projetos de irrigação

Emater utiliza teste de infiltração para qualificar manejo do solo e projetos de irrigação
Foto: Emater/RS-Ascar
  • 01/02/2026 - 20:29

A Emater/RS-Ascar vem utilizando o teste de infiltração de água no solo pelo Método dos Anéis Concêntricos, como ferramenta técnica para o manejo e a conservação do solo e da água, bem como o planejamento de sistemas de irrigação. A Instituição deve fazer pelo menos um em cada município e em diferentes sistemas de produção: pastagens, hortaliças, fruticultura, silvicultura, fumicultura.

A técnica permite estabelecer a quantidade e a velocidade com que a água entra no solo. O objetivo é determinar a capacidade de infiltração do solo, a taxa de infiltração, a infiltração acumulada e a taxa de infiltração básica, parâmetros fundamentais para o manejo hídrico e a conservação do solo. O método consiste na medição da lâmina de água infiltrada ao longo do tempo, resultando na chamada velocidade de infiltração, parâmetro fundamental para a definição de práticas agrícolas adequadas. A partir desses dados, é possível orientar decisões técnicas relacionadas ao manejo do solo, à escolha do método de irrigação, ao dimensionamento de sistemas e à prevenção de processos erosivos.

"Esse teste fornece dados básicos para trabalhos de irrigação e manejo do solo, permitindo definir técnica de conservação, método de irrigação, espaçamento, dose de aplicação de água e turno de rega", explica o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS-Ascar, Marcelo Biassusi.

A infiltração da água é caracterizada pelo movimento da água da superfície para o interior do solo. A relação entre a lâmina infiltrada e o tempo resulta na velocidade de infiltração básica, indicador essencial para a escolha do método de irrigação, o planejamento de projetos, a avaliação do escoamento superficial, da erosão do solo e da necessidade de drenagem.

O teste é realizado com o uso do sistema de duplo anel, que mantém carga hidráulica constante. A recomendação técnica é que o procedimento seja executado em dois momentos distintos: inicialmente com o solo seco e, após 48 horas, com o solo úmido, permitindo a comparação dos resultados.

"A velocidade de infiltração básica indica o limite de água que o solo consegue absorver. Se a aplicação ultrapassar esse valor, ocorre escoamento superficial, o que pode causar erosão", destaca Marcelo.

A realização do teste de infiltração de água no solo também tem um impacto direto na percepção do agricultor sobre a própria terra. Ao acompanhar o processo e observar o comportamento da água no solo ao longo do tempo, o produtor passa a compreender, de forma prática, como o manejo adotado influencia a fertilidade, a conservação e o aproveitamento da chuva. Essa leitura do solo permite decisões mais conscientes em períodos de estiagem ou de chuvas concentradas, que são cada vez mais frequentes.

Para quem vive da produção agrícola, entender como a água se infiltra e permanece no solo significa planejar melhor a adubação, evitar perdas de nutrientes e pensar no futuro da propriedade. No caso da produção de milho, o teste se torna uma ferramenta estratégica, pois aponta caminhos para a correção do solo, garantindo mais estabilidade para as próximas safras.

O primeiro teste de 2026 foi realizado em uma propriedade produtora de milho, de Amilton Amaral, no município de Lindolfo Collor, permitindo avaliar, na prática, a capacidade de infiltração e retenção hídrica do solo. "No começo a gente pensa que é só mais um teste, mas quando vê o resultado entende o quanto isso é importante. A água não desce rápido, e aí tu percebe que, se não infiltrar bem, a adubação vai embora. Isso é muito importante para o solo"

O procedimento é executado com o uso de um infiltrômetro e de um conjunto de anéis concêntricos, sendo o infiltrômetro composto por um tubo de PVC fechado com dois conjuntos de caps e registros, posicionados nas extremidades superior e inferior. O equipamento é fixado a um suporte metálico (tripé), que permite mantê-lo suspenso sobre a superfície do solo. Na parte externa, o infiltrômetro possui uma mangueira de nível e régua graduada, que possibilitam a leitura precisa do nível da água ao longo do teste.

O conjunto de anéis concêntricos é formado por dois anéis metálicos, sendo o anel interno com 20 centímetros de diâmetro e o anel externo com 60 centímetros, com alturas que variam entre 20 e 30 centímetros, conforme a condição do terreno. Em áreas com maior declividade, recomenda-se o uso de anéis mais altos, garantindo o correto nivelamento do sistema e a confiabilidade dos resultados.

Essas informações são fundamentais para que projetos de irrigação respeitem a capacidade do solo, evitando perdas de água, degradação ambiental e impactos negativos à produção. O uso da técnica destaca a importância do manejo sustentável do solo e da água, promovendo sistemas produtivos mais eficientes.

Foto: Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar