Após 450 quilômetros e 19 dias de cavalgada com sol, chuva, poeira, barro, cerração e até geada, a Chama Crioula chegou, na tarde desta terça-feira (1º de setembro), ao CTG Tropeiros do Buricá, em Três de Maio. O fogo foi conduzido por integrantes da entidade e da 20 Região Tradicionalista.
A jornada iniciou no dia 13 quando os cavaleiros se deslocaram a cidade de Rio Pardo, onde a chama foi gerada neste ano, e passou pelos municípios de Candelária, Lagoa Bonita do Sul, Ibarama, Salto do Jacuí, Cruz Alta, Ijuí, Catuípe e Independência.
Um desfile foi realizado pelas avenidas Horizontina, Uruguai e Santa Rosa. Os cavaleiros participaram da programação da Semana da Pátria de Três de Maio na Praça Henrique Becker Filho. A apresentação cívica de música e dança esteve a cargo dos alunos da Apae e o arreamento das bandeiras contou com o prefeito em exercício Josias Correa (Brasil), do coordenador da cavalgada José Sparenberger (Rio Grande do Sul) e o presidente da ACI, Neri Jesse (Três de Maio.
Sparrenberger destacou a importância da Chama Crioula, principal símbolo de união, história e identidade da cultura gaúcha.
- O fogo mantém a essência do tradicionalismo e continuará vivo dentro de nossos corações – destacou.
Após, a Chama Crioula foi levada à residência da família Silva onde será realizada na sexta-feira (04/09) homenagem póstuma ao tradicionalista Paulo Silva, pai do atual diretor da Invernada Campeira do CTG Tropeiros do Buricá, Zeca da Silva.
Já no sábado (05/09) ocorre a distribuição da chama para as entidades tradicionalistas da 20 RT. CTG Tropeiros do Buricá e o Parque de Rodeios Edibaldo Stieglmeier.
Tradição começou com Paixão Côrtes
A tradição de acender a Chama Crioula surgiu em 1947, durante as comemorações do centenário da Revolução Farroupilha. De acordo o MTG, próximo da meia-noite do dia 7 de setembro daquele ano, os jovens João Carlos Paixão Côrtes, Fernando Machado Vieira e Cyro Dutra Ferreira, aguardavam junto à Pira da Pátria, montados em seus cavalos.
A Pira da Pátria ficava no Parque Farroupilha (Redenção) próximo ao Colégio Júlio de Castilhos onde estudavam. No momento da extinção do Fogo Simbólico da Pátria, os jovens foram chamados para a retirada da centelha, conforme haviam acordado com a Liga Da Defesa Nacional. Paixão subiu em uma escada com um instrumento improvisado, feito de cabo de vassoura e envolto por estopa embebida em querosene acendeu solenemente aquela que seria eternizada na história como a primeira Chama Crioula.