Para muitos a Sexta-Feira Santa (04/03) é dia de manter uma tradição cultural e religiosa passada de geração em geração: a colheita da marcela antes do nascer do sol. Planta medicinal instituída como símbolo do Estado pela lei 11.858 de 2002, a marcela é uma espécie com ocorrência nativa que floresce apenas uma vez ao ano, no período que coincide com a Páscoa, e cuja ocorrência vem diminuindo ao longo do tempo. Com o objetivo de valorizar e preservar a espécie, a assistente técnica regional da Emater/RS-Ascar Caroline Crochemore Velloso orienta sobre práticas de colheita não predatória.
Para que a colheita ocorra de forma sustentável, é importante não arrancar a planta inteira, nem retirar todas as inflorescências, permitindo a continuidade do ciclo de vida. Também é recomendado secar as plantas e devolver as sementes à natureza, contribuindo para a preservação da espécie para as futuras gerações. O plantio deve ser realizado entre os meses de setembro e outubro, em covas superficiais, já que as sementes necessitam de alta luminosidade para germinar.
De acordo com a extensionista rural, a preservação da espécie depende da consciência de quem realiza a colheita, especialmente no que diz respeito à contribuição para novos plantios. Ela também alerta para a importância de observar o local de coleta, já que em áreas próximas a estradas movimentadas, onde a prática é comum, a emissão de monóxido de carbono pelos veículos pode ser absorvida pela planta, comprometendo a qualidade de seus princípios ativos.
Ainda segundo Caroline, embora a crença de que o orvalho da manhã da Sexta-Feira Santa potencialize as propriedades da planta não tenha comprovação científica, a marcela possui reconhecidos efeitos medicinais, como ação diurética, antifebril, digestiva, anti-inflamatória e analgésica. A planta também pode ser utilizada em tratamentos veterinários e como inseticida natural.