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Agricultura

Família de Três de Maio é referência em conservação do solo e da água

Família de Três de Maio é referência em conservação do solo e da água
Foto: José SchafferEmater/RS-Ascar
  • 13/01/2026 - 20:21
  • Atualizado 13/01/2026 - 20:26

Em meio aos desafios impostos pelas mudanças climáticas, como enchentes e estiagens cada vez mais frequentes, uma família do município de Três de Maio, mostra que é possível produzir com responsabilidade ambiental, garantindo renda, preservação dos recursos naturais e sucessão familiar no meio rural. A trajetória da família Sartor é exemplo de como tradição, inovação e assistência técnica caminham juntas para a construção de uma agricultura sustentável.

A história começa há mais de seis décadas, quando Félix Sartor, com quase 90 anos, iniciou a atividade agrícola com poucos recursos, mas com visão de futuro e apoio da família. Desde o início dos anos 1960, a parceria com a Emater/RS-Ascar foi determinante para a evolução da propriedade. "Eu sempre quis trabalhar com a Emater, porque queria tecnologia. Comecei com suínos, depois diversifiquei, plantei soja, milho, mandioca, criei galinha, fiz horticultura. A cada venda, comprava mais um pedacinho de terra", relembra Félix.

A qualificação profissional do filho Darci Sartor, técnico em agropecuária, aliada à consciência ambiental e ao acompanhamento técnico, levou a família a investir, há mais de 30 anos, em práticas de conservação do solo, como curvas de nível e terraços corretamente dimensionados. A mudança transformou a dinâmica da propriedade. A água da chuva, que antes escorria causando erosão e prejuízos, passou a infiltrar no solo, garantindo umidade mesmo em períodos de estiagem.

"Antes, as curvas eram em desnível e a água, jogada para fora da lavoura, causando erosão. Com a orientação técnica, passamos a fazer tudo em nível e a puxar a água da estrada para dentro da área produtiva. O resultado foi excelente", explica Darci. Segundo o produtor, a infiltração da água contribuiu inclusive para o fortalecimento das vertentes e para o aumento da disponibilidade hídrica nas áreas de piscicultura da propriedade.

O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Leonardo Rustick, destaca que o caso da família Sartor demonstra, na prática, os benefícios da conservação do solo e da água. "O solo precisa funcionar como uma caixa dÂ’água. Aqui, a água fica onde cai, infiltra e fica disponível para as plantas nos momentos de necessidade. Enquanto propriedades vizinhas sofrem na estiagem, essa lavoura se mantém verde e produtiva, mesmo sem irrigação", afirma.

Além do ganho ambiental, os resultados aparecem na produtividade e na renda. A propriedade apresenta índices de produção superiores aos da região, com redução de perdas, preservação da fertilidade do solo e menor impacto sobre rios e sangas, contribuindo também para a redução de enchentes em áreas mais baixas.

A diversificação é outro pilar do sucesso da família. Em uma área total de cerca de 140 hectares, aproximadamente cem são destinados à lavoura, 15 hectares à piscicultura, e o restante, à preservação ambiental, potreiros e pomar. A produção inclui grãos, peixes, frutas, verduras, leite e derivados, parte para o consumo familiar e parte para a comercialização local, garantindo segurança alimentar e estabilidade econômica.

Para o extensionista, exemplos como o da família Sartor precisam ser multiplicados. "É uma propriedade que consolida práticas como plantio direto, rotação de culturas, conservação de solo e água. Mesmo com os desafios da mecanização, o terraceamento é um bem necessário. Essa consciência é o que garante sustentabilidade e futuro no campo", ressalta.

A família reconhece que a trajetória não teria sido possível sem o apoio da assistência técnica. "Sem a Emater, a gente não teria chegado aonde chegou. Sempre que queremos fazer algo diferente na propriedade, buscamos orientação", conclui Félix Sartor.

Por Taline Schneider - Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar