A colheita do milho no Rio Grande do Sul atinge 64% da área cultivada, e 17% das lavouras em maturação. Os 19% remanescentes se distribuem entre desenvolvimento vegetativo e enchimento de grãos, estágios ainda dependentes de precipitações regulares, mesmo que as perdas estejam consolidadas em diversas regiões. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (05/03), o déficit hídrico entre meados de janeiro e a primeira quinzena de fevereiro impactou as lavouras, de forma diferenciada, conforme a época de semeadura e a disponibilidade hídrica.
Nesse sentido, áreas implantadas no cedo, que atravessaram o período crítico em final de ciclo, apresentaram menor comprometimento relativo. Já nos cultivos em floração e em granação, há reduções de rendimento associadas à deficiência de umidade. As chuvas do período favoreceram de forma parcial as lavouras ainda em enchimento de grãos, especialmente nas regiões com maior concentração de área, mas não alteram o quadro de perdas nos cultivos sob estresse na fase crítica.
Em relação ao aspecto fitossanitário das lavouras de milho, destaca-se a elevada incidência de cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), levando à intensificação de monitoramento e do controle químico. Em áreas específicas, há registros pontuais de lagarta-do-cartucho. Para esta safra, a Emater/RS-Ascar estima o cultivo de 785.030 hectares e produtividade de 7.370 kg/ha. Nova projeção da Safra de Verão 2025/2026 será divulgada na próxima terça-feira (10/03), durante a Expodireto Cotrijal, que acontece de 09 a 13 de março, em Não-Me-Toque.
Milho silagem - As condições climáticas foram parcialmente favoráveis, com chuvas leves e clima estável em várias regiões do Estado. O desempenho das lavouras apresenta elevada variabilidade, refletindo diferenças de época de implantação, disponibilidade hídrica durante o período reprodutivo e nível tecnológico empregado. Nas áreas implantadas mais cedo, a colheita da silagem está em andamento ou concluída; o rendimento de massa verde é adequado, em razão do elevado porte das plantas favorecido pelas chuvas registradas até o início de janeiro. Entretanto, em diversas situações, a proporção de grãos na massa ensilada foi limitada pela restrição de umidade durante o período de pendoamento, polinização e início do enchimento de grãos. Conforme estimativa da Emater/RS-Ascar, a área destinada ao milho para silagem deve atingir 366.067 hectares, e a produtividade estimada é de 38.338 kg/ha.
A cultura da soja está majoritariamente em estágios reprodutivos, com predomínio das fases de floração (18%) e enchimento de grãos (67%), as quais são determinantes para a consolidação do rendimento. A área em maturação totaliza 11%, e a colhida está restrita a lavouras pontuais, ainda sem expressão estatística. As precipitações ocorridas promoveram a recuperação parcial das lavouras em restrição hídrica mais intensa, sobretudo nas regiões do Estado de maior área cultivada. Ainda assim, a reposição da umidade foi insuficiente em parcelas expressivas, especialmente em solos de menor profundidade (neossolos), onde persistem problemas no enchimento de grãos e redução do peso específico. A Emater/RS-Ascar indica área de soja cultivada de 6.742.236 hectares.