No primeiro dia útil após o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, o dólar chegou a superar os R$ 5,20, mas desacelerou a alta durante a tarde. A bolsa de valores subiu, sustentada por ações de petroleiras, que se beneficiaram da disparada do petróleo.
O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (02/03) vendido a R$ 5,166, com alta de R$ 0,032 (+0,62%). A cotação disparou durante a manhã, chegando a R$ 5,21 por volta das 11h, mas diminuiu o ritmo durante a tarde, com a leve recuperação das bolsas americanas.
O Irã é o sexto maior produtor de petróleo do mundo. O conflito pode implicar em aumento nos preços do barril, o que tende a elevar o valor da gasolina e a inflação geral. Além disso, mais de 20% de todo o petróleo consumido mundialmente passa pela rota do Estreito de Ormuz, uma passagem entre o Irã e Omã que liga o Golfo ao Mar Arábico, fechada parcialmente desde os ataques.
Em entrevista à Rádio Coloniall, o economistsa Argemiro Brum lembrou que o país também é um exportador global relevante de fertilizantes nitrogenados, que são a base da agricultura brasileira. Hoje, o Brasil é dependente da importação de 90% dos fertilizantes que consome. Há risco, portanto, de impacto no mercado de produtos agrícolas.
Com concentração em amônia e ureia, passa pelos dois corredores de Ormuz de 25% a 35% do comércio mundial desses produtos. Os cultivos mais dependentes de aditivos químicos são trigo, milho e soja.
O que é o Estreito de Ormuz?
Localizado entre o Irã, ao norte, e Omã, ao sul, liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Em sua parte mais afunilada, tem 39 quilômetros de largura. Não parece tão pouco, mas a passagem de gigantes navios petroleiros exige grande profundidade. Por isso, só existem duas faixas de navegação, com três quilômetros de largura – uma para cada sentido da navegação.