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com ALEXANDRE DE SOUZA

Agricultura

Brasil deve bater novo recorde na produção de grãos

Brasil deve bater novo recorde na produção de grãos
Foto: Emater/RS-Ascar /Divulgação
  • 15/01/2026 - 12:42

O Brasil deverá produzir 353,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, estabelecendo um novo recorde, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal divulgou nesta quinta-feira (15/01) seu quarto relatório de acompanhamento da safra atual.

Caso a projeção se confirme, a produção nacional será 0,3% maior do que a da temporada 2024/25. No ciclo passado, o país colheu 352,1 milhões de toneladas.

A nova estimativa é 1,3 milhão de toneladas menor do que a que a Conab apresentou em dezembro de 2025. No relatório anterior, a empresa estimou produção total de 354,4 milhões de toneladas.

A soja, principal cultura do país, alcançou 176,1 milhões de toneladas, quantidade 2,7% maior que a da safra passada, o que significa dizer um aumento de 4,6 milhões de toneladas da oleaginosa. O plantio também teve um acréscimo de área de 1,3 milhão de hectares (+2,8%), saindo de cerca de 47,4 milhões de hectares para 48,7 milhões de hectares. Apesar do aumento de produção e de área, a produtividade do grão se manteve em um cenário de estabilidade, com leve oscilação negativa de 0,1%, queda explicada por chuvas irregulares em volumes aquém do esperado em regiões do Mato Grosso do Sul e limitações físicas em solos arenosos em algumas localidades de Goiás, apesar da estimativa de aumento da produtividade do Rio Grande do Sul nessa safra.

Outra importante cultura, o milho, também apresentou acréscimo na área plantada total estimada, somando as três safras, em 22,7 milhões de hectares: a expectativa é de elevação de 4%, um salto de 21,7 milhões de hectares em 2024/25 para 22,8 mil hectares na safra atual, o que corresponde a 871,8 mil hectares a mais. Entretanto, devido a eventos climáticos como tempestades, granizo, baixas e altas temperaturas e veranicos na Região Sul do país e falta de chuvas no estágio inicial de desenvolvimento em Minas Gerais, influenciando na primeira safra, a projeção é que o cereal tenha queda de 1,5% na produção e 5,3% na produtividade, computadas as três safras. Em relação à produção, ela sai de 141 milhões de toneladas na safra 2024/25 para em torno de 138,9 milhões nesta safra, uma redução de 2,23 milhões de toneladas. Já no que se refere a produtividade, a estimativa é que ela caia 343 kg/ha, sendo de 6.457 kg/ha no ciclo agrícola passado e agora de 6.114 kg/ha.

Já o sorgo, uma cultura em forte expansão no Brasil, é mais um grão que tem expectativa de ampliação em área e em produção - ganhando 11,3% mais de espaço plantado nas lavouras e 9,2% na quantidade disponível do cereal. Na safra 2024/25, a produção foi de 6,1 milhões de toneladas, já no ciclo agrícola vigente, essa quantidade chega a aproximadamente 6,7 milhões de toneladas, uma diferença de 563,5 mil toneladas. Da mesma forma, a área também deve ter uma adição de 184,3 hectares, partindo de 1,6 milhão de hectares na safra passada e chegando a 1,8 milhões de hectares na safra 2025/26. Ainda assim, a produtividade do grão tende a diminuir em 1,9%, deixando os 3.739 kg/ha do ciclo passado e chegando a 3.670 kg/ha na safra corrente. Destaca-se que o maior cultivo do sorgo acontecerá na segunda safra, após a colheita da soja.

Impulsionado pela demanda por óleo vegetal e biodiesel, a perspectiva de produção do girassol é de 101,9 mil toneladas, ou seja, 1,5 mil toneladas a mais que na safra passada, que era de 100,4 mil toneladas - um aumento de 1,5%. A área para o plantio da oleaginosa também deve ter expansão de 3,1%, aumentando em 1,9 mil hectares - de 61,9 mil hectares em 2024/25 para 63,8 em 2025/26. Contudo, a expectativa é que a produtividade do grão apresente decréscimo de 1,5%, em razão da regularidade das chuvas, com intervalos de boa insolação e temperaturas amenas no Rio Grande do Sul. Por esses motivos, projeta-se um recuo da produtividade do grão de 24 kg/ha, o qual atingiu a marca de 1.622 kg/ha na safra anterior e deve recuar para 1.598 kg/ha na safra presente.

Por fim, a mamona, a qual também vem ampliando o cultivo no Brasil, recentemente, por causa do fornecimento do óleo de rícino para biocombustíveis, cosméticos e farmacêuticos, demonstra aumento em área, produção e produtividade. Em consequência do aumento do cultivo e de boas condições climáticas na Bahia, a estimativa é que o grão supere a produção na safra 2024/25 de 100 mil toneladas, alcançando 147,4 mil toneladas na safra atual. Da mesma forma, a área cultivada será 9,3% maior - no ciclo passado foi de 69,6 mil hectares -, atingindo a marca de 76,1 mil hectares, o que quer dizer 6,5 mil hectares a mais. Como resultado, a produtividade também se encaminha para ter um significativo avanço de 34,8%, saindo de 1.437 kg/ha na safra anterior para 1.938 kg/ha para o ciclo 2025/26. Assim como o sorgo, a maior parte da semeadura do girassol acontecerá após a colheita da primeira safra, sobretudo no Centro-Oeste.